Impressiona-me na atuação do estado em fenômenos como Canudos, o Contestado, a Revolução Federalista, o período da ditadura militar, na guerrilha do Araguaia, entre outros casos tantos, a sua ferocidade desproporcional. E também sua ausência.
Ausência sistemática do que é distante, do que não representa seus interesses que são interesses privados da casta que o maneia. Ele próprio, o estado, é tomado de surpresa quando eclodem acontecimentos como Canudos. Não sabe o que se passa, não tem informações precisas sobre os acontecimentos que se dão à sua margem, exacerba sua reação como um corpo doente reagindo ensandecido a uma espetadinha de merda na ponta do dedo. E atua apenas de uma forma: manda a repressão, manda o choque, batendo seus cassetetes nos escudos feito falange macedônica. Manda o Bope, manda o Capitão Nascimento. E eles atuam com a ferocidade dos capitães do mato que fazem o serviço sujo do sinhozinho. Melhor não pensar, melhor agir.
Não é o que ocorre ainda hoje nas favelas, nas periferias, nos cús do Judas, onde o estado só põe os pés (ou as botas) prá tocar o terror?
Não está lá prá dar segurança, não está lá para dar escola, saúde, cidadania e garantir a possibilidade de vida decente.
Quando chega, é com o Caveirão, é pro Capitão Nascimento cortar a cabeça dos usuais 3 pês e mandar pro coronel.
Prá servir de exemplo.








